Como é viver na Itália?

Muita gente, em alguma momento da vida, tem o sonho de mudar o rumo e a Itália é sem dúvidas uma meta muito atraente para quem está pensando em construir uma nova vida. Um país lindo, repleto de monumentos, história, boa comida e pessoas mais ou menos parecidas com nós brasileiros. Mas como é realmente viver na Itália? Há muito queríamos falar sobre a nossa experiência,mas tinha medo de escrever um post enorme porque tenho muito o que falar. Mas ok, tentarei reunir as ideias principais.

As pessoas

A Itália é um país com várias regiões muito distintas entre si. A unidade da Itália é um fato recente na história, aconteceu no século 19. Antes disso, as regiões eram independentes. Isso faz com que o sul seja bem diferente do centro e do norte. Eu morei em Firenze por 4 anos e estou há 2 anos em Treviso, no Vêneto. Aqui as pessoas são mais fechadas, é complicado fazer amizade, mas são todos muito respeitosos e educados. No trabalho são muito focados, não tem tempo pra brincadeira e fofoca. No sul, como Roma e Nápoles, por exemplo, as pessoas são mais alegres, abertas e brincalhonas.

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A segurança

Com certeza um dos fatores que a gente mais valoriza. É muito bom não ter mais que temer parar no sinal vermelho ou ficar de olho na hora de entrar no carro no estacionamento. É claro que não pode-se dar bobeira com os pertences, mas se algo acontece é um pequeno furto, nada comparado às barbaridades que a gente vê no Brasil. Nas grandes cidades é melhor ficar de olho, mas caminhar por Veneza à noite por exemplo não oferece nenhum perigo. Leia mais sobre segurança aqui.

Crianças brincam em Campo Santa Margherita em Veneza
Crianças brincam em Campo Santa Margherita em Veneza

Compras no supermercado

Os italianos dão muito valor à qualidade dos alimentos e a uma dieta saudável e rica de frutas, verduras e pratos balanceados. A Itália não é só pizza, pasta e gelato. Já repararam como as pessoas aqui são em forma? Dá-se preferência a frutas e verduras respeitando as estações e de consequência o bolso. Comida de qualidade aqui não custa caro.

Quanto custa:

1 pacote de 1/2 k de pasta Barilla = 0,75 centavos

1 kg arroz = 2 euros

1 kg de queijo pecorino = 14 euros

1 kg laranja siciliana = 0,90 centavos

1 café da manhã no bar (brioche e cappuccino) = 2,50 euros

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Leia mais sobre compras no supermercado aqui , aqui e aqui.

Custos básicos

Um pouco difícil de porque cada um tem seus hábitos de consumo. O custo de um aluguel de um quarto em apartamento dividido com outras pessoas no centro histórico de Firenze varia de 350 a 500 euros. Um apartamento de 2 quartos pode custar de 700 a 900 euros. Para quem pensa em comprar casa, é um bom momento. Os imóveis estão desvalorizados. A nossa amiga Doris Sochaczewski tem uma história bem legal.

Há alguns meses ela se mudou de São Paulo para Todi (Úmbria) e comprou uma propriedade onde abrirá em breve uma locanda. A Doris tem um blog muito bacana onde, entre outras coisas, dá conselhos para quem está querendo mudar para a Itália e comprar uma casa. Olha aqui. Os gastos com condomínio são mínimos. Eu pago cerca de 30 euros por mês. As contas de água e luz são bimestrais. No inverno podem vir um pouco mais salgadas por causa do sistema de aquecimento. As escolas públicas são ótimas, outra grande economia para o bolso.

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A língua

Se você quer vir para a Itália, falar a língua é fundamental. É muito mais complicado socializar e procurar um trabalho se você não sabe falar italiano. Se você planejar vir pra cá, comece a estudar. Quando chegar aqui vai ser muito mais fácil.

Trabalho

Não dá para se iludir. É um momento péssimo para se procurar trabalho por aqui. O país está atravessando uma crise e o primeiro ministro colocou em pauta algumas medidas para incentivar os empregadores a contratar, espera-se que a médio prazo a situação melhore. Muito difícil conseguir um bom emprego de “carteira assinada”. Os contratos são cada vez mais precários. Um salário médio de um trabalhador italiano é de 1000 a 1300 euros, mas diferentemente do Brasil, com um salário como este é possível viver relativamente bem em uma cidade de porte médio. Lembramos que aqui a saúde pública funciona, bem como educação e segurança. Não tendo que pagar plano de saúde e escola o dinheiro rende muito mais.

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Serviços

Na Itália os serviços não são como no Brasil. Por uma questão histórica e cultural, cada um se vira sozinho. Ter empregada é um luxo para pouquíssimos. A gente tem que arrumar casa, cozinhar, fazer faxina, buscar filho na escola. Não tem moleza. Outra coisa: não pense em encontrar supermercado, farmácia e outros tipos de loja 24 horas, muito menos delivery de comida ou disk farmácia. Em algumas cidades as lojas fecham até mesmo no horário de almoço. É o jeito slow da Itália que às vezes deixa a gente enlouquecida, mas que faz até um certo sentido. Esqueça as idas semanais no salão para fazer unha e depilação. Aqui custa muito caro e o resultado é quase sempre desastroso. Uma vez fui fazer a mão saí muito chateada. Paguei 35 euros por um serviço muito mal feito. O jeito é aprender a fazer sozinha ou deixar de lado um pouco da vaidade.

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Transporte

Nas grandes cidades como Roma e Milão, por exemplo, o trânsito é pesado. Praticamente em todas as cidades (até as menores), encontrar estacionamento é uma missão muito difícil. Por isso as pessoas tendem a utilizar o transporte público, que funciona bem. Ônibus, trem, metrô e a querida bicicleta. Muita gente anda de bicicleta e é muito prazeroso poder ir trabalhar ou passear de bike. O trem é muito utilizado para pequenas, médias e longas viagens. Uma viagem de Milão a Roma dura cerca de 3 horas e a passagem em um trem de alta velocidade custa 43 euros (o valor varia de acordo com o tipo de trem). O serviço é bom, trens limpos e confortáveis.

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Lazer

Aqui tem lazer para todos. Até nas pequenas cidades acontecem eventos para todas as idades. São promovidos pelas províncias, comunas ou privados, além das as associações culturais sem fins lucrativos, que são muito engajadas em promover encontros, festas e atividades para crianças, jovens e adultos. Treviso, onde eu moro, é uma cidade média e possui cerca de 80 mil habitantes. Quase todos os finais de semana acontece algum evento por aqui. As praças ficam cheias, os pais podem passear, as crianças brincam e tudo isso sem gastar nem um tostão. Sem contar os parques e jardins.

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Enfim, a Itália não é um país perfeito. Aqui também tem corrupção, burocracia, dificuldades econômicas, problemas políticos e a vida nem sempre segue nos trilhos, mas estou feliz com a minha escolha. Sentir falta do Brasil é natural e viver longe da família não é fácil, mas a vida é mesmo feita de escolhas, de perdas e ganhos.

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