Viver na Itália: os 10 desafios do inverno

A primeira vez que cheguei na Itália era mês de fevereiro. Início, ou seja, inverno, daqueles que uma brasileira (mesmo vindo de Barbacena) jamais tinha visto. As roupas, obviamente, não eram adequadas. Naquele tempo, a gente comprava os casacos de frio em brechós e o meu, apesar de prometer esquentar, não era lá essas grandes coisas. Com o tempo a gente aprende a lidar com os desafios e problemáticas do inverno. O primeiro, claramente é o vestuário, mas existem ainda muitas coisas que a gente não pensa ou não espera, que vão se apresentando à medida que a gente vai vivendo por aqui. Mas vamos começar do básico:

1 – Encontrar a roupa certa

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Poucas peças de inverno que você tiver do Brasil vão te esquentar do frio que a gente tem por aqui. O próprio tecido e estrutura da roupa não foram realizados pensando no frio europeu. Claro que blusas de lã irão te ajudar muito, mas talvez aquele sobretudo que você usa na tua cidade quando tá frio (se a tua cidade faz frio de vez em quando) não vai te esquentar suficientemente. E a gente não aprende de primeira. Levei alguns anos para entender qual tecido era mais adequado, o melhor tipo de meia, a melhor blusa segunda pele, o sapato mais quentinho. Comprei muita coisa errada e tive que jogar muita coisa fora, até aprender a comprar roupa de inverno.

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2 – Aprender a viver sem fruta

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Adaptar o paladar aos pratos invernais não é difícil. Neste período, não há nada melhor que as sopas, os pratos de massa, chocolate quente e vinho. O problema é aprender a viver sem as frutas. No inverno, elas simplesmente desaparecem e se reduzem às frutas da estação: maça, pera e uva. Daqui em diante, é necessário esperar alguns meses, até que a primavera e, finalmente o verão traga literalmente seus frutos.

3 – Encarar os choques térmicos

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Prepare-se para um frequente desequilíbrio entre frio/calor à medida que você sair da rua para entrar em algum estabelecimento comercial. E não é uma variação pequena. De 0 grau ou uma temperatura negativa, você passa imediatamente a 25 e não há saúde que aguente. Quando entrar em lugares fechados, tire o casaco.

4 – Sobreviver aos odores estranhos

Nós, brasileiros, estamos acostumados a tomar banhos frequentes. Eu, por exemplo, faça chuva, sol, frio, neve, tomo dois por dia. Os italianos (não todos, mas a maioria) não seguem os nossos standards. Eles tomam menos banhos e isso se reduz também no inverno. Associado ao péssimo hábito de não mudar de roupa todos os dias, o fato acaba gerando, nos ambientes fechados, situações extremamente desagradáveis. Eu costumo ter um cachecol bem cheiroso e perfumado para tampar o nariz, e, quando possível, abro uma tangerina ou uma laranja pra dissipar o cheiro ruim. Mantenho as cascas entre os dedos e bem perto do nariz.

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5 – Cuidar melhor da pele

Quando o frio é muito intenso, a nossa pele é a primeira a sentir. Alguns pontos são mais sensíveis, como as mãos e os lábios, que ao primeiro vento, tornam-se muito secos. Além da proteção, como as luvas, você deve ter na bolsa um creme específico para hidratar as mãos e o corpo depois do banho. Faz uma grande diferença. No mês passado, durante o IIIEEBB, peguei muito frio em Berlim. Sem hidratante, fiquei com as mãos “queimadas” de frio. Incomoda, arde e dói. Só cura depois de muita hidratação.

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6 – Aprender a lavar e a secar as roupas sem correr o risco de fazer estrago

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Geralmente as casas e apartamentos na Europa em geral costumam a ser bem menores que no Brasil. Muito difícil que a gente tenha área de serviço. No inverno a coisa aperta porque a roupa demora mais pra secar, ainda mais pra quem não tem uma secadora, que é meu caso. Geralmente a gente usa um varal de chão e o coloca em um cômodo da casa se o tempo lá fora não permite. É preciso ter atenção também com a lavagem das roupas. A lã deve ser lavada à mão, ou em programas delicados, sem centrífuga. No início perdi algumas roupas por não prestar atenção a isso.

7 – Aceitar que, inevitavelmente, a gente pega uma gripe

Seja no escritório, no transporte público ou outros ambientes fechados, é quase inevitável o contato com outras pessoas que estejam gripadas. Geralmente quando um trabalhador tem uma gripe forte, com febre, o chefe fica contente e agradecido que esta pessoa não compareça ao trabalho até que esteja totalmente curada. O risco de passar para o colega é grande e ninguém quer que um departamento de uma empresa pare porque todo mundo contraiu uma gripe.

8 – Conviver com o tenebroso cair da noite em plena tarde

Quando chega o inverno, é difícil aceitar que o dia fique mais curto. Por volta de novembro/dezembro, às 16 horas começa a escurecer. É uma sensação de que o dia não rende e aquela preguicinha e vontade de ficar em casa bate mais cedo que o usual. A gente perde um pouco a noção do tempo e tem mais vontade de ficar em casa ou de entrar em uma confeitaria e se encher de doces ou chocolate quente.

9 – Sair de casa 5 minutos mais cedo para descongelar o carro

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Quem não tem garagem coberta em casa tem que aprender a conviver com mais uma dificuldade nas manhãs geladas. Muitas vezes o frio da madrugada deixa o vidro dos carros com uma camada fina (às vezes grossa) de gelo. Já não bastasse o trauma térmico de sair quentinho de casa e entrar dentro de um carro gelado, a gente tem que ligar o aquecedor e esperar que o gelo derreta. Muitas vezes eu uso uma pá acoplada a uma luva para tirar o gelo com mais rapidez. Mas o processo leva um tempinho, então a gente tem que pular da cama pelo menos uns 5 minutos antes da hora.

10 – Lidar com as crises de saudade

Não bastasse ter a vida virada de cabeça pra baixo quando a gente muda pra Europa, estamos em hemisférios opostos. Isso quer dizer que quando o inverno chega por aqui, a explosão do verão está no auge no Brasil. Férias, Natal, reveillon na praia, carnaval. Tudo isso regado à uma atmosfera de festa, calor, uma cervejinha, tudo isso escancarado nas redes sociais. É difícil aplacar a saudade nesses momentos. Algumas pessoas têm a oportunidade de viajar neste período e ir visitar a família no Brasil. Muitos não têm a mesma sorte e têm que encarar o inverno com uma dose extra de saudade. As festas de final de ano deixam a gente muito mais sensível e pesarosos por não poder estar com nossas famílias de origem. E aí, a saudade bate muito forte, tão forte quanto o frio que faz lá fora.

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