Villa Pisani, a rainha das vilas vênetas

Ela é considerada a rainha das vilas vênetas. Pudera. No início dos anos 1700, quando foi construída, a Villa Pisani entrava na “disputa” entre os nobres venezianos por quem construía o palácio mais suntuoso. A construção triunfal e cheia de história no Vêneto queria ser como um palácio de Versalhes, símbolo de luxo e poder.
Localizada entre Padova e Veneza, às margens do rio Brenta, a Villa Pisani impressiona pela sua grandeza. Os 168 cômodos e o imenso parque jardim dão mais a ideia de um palácio real que efetivamente de uma vila vêneta. Estas, tiveram ao longo de sua história uma evolução, mas partiam sempre do mesmo objetivo: serem casas de campo e descanso dos nobres venezianos.

A evolução das vilas vênetas

As vilas vênetas eram de propriedade dos patrícios venezianos que fizeram riqueza a partir do comércio com o Oriente. A princípio, eles viram no campo, uma possibilidade de expandir seus negócios com a produção agrícola e aproveitavam os meses de primavera e verão para passarem um tempo com a família nessas grandes casas de campo, fugindo do calor excessivo de Veneza naqueles meses.

O ambiente das vilas retomavam também as antigas vilas romanas quando artistas, pensadores se reuniam em encontros de poesia, teatro e discussões filosóficas. Assim, a decoração interna destes palácios era realizada pelos maiores artistas da época. Seus afrescos ilustravam a vida no campo, mas também a mitologia, como por exemplo na Villa Pisani, a sala do triunfo de Bacco (na foto abaixo).

No século 17, Veneza perde muito de seu poder comercial e começa a vender bens públicos às famílias abastadas que enriqueceram com o comércio. Forma-se assim uma nova burguesia, interessada em ostentar sua riqueza e poder, comprando terrenos e construindo vilas com a finalidade de realizar festas, encontros e grandes recepções.

A história da Villa Pisani

A Villa Pisani surge na fase em que as vilas vênetas tinham como objetivo muito menos a produção rural, e mais o papel de legitimar o poder financeiro e social da família. Era o lugar para receber os nobres para festas ou momentos de descanso, por isso deveria ser suntuosa e ricamente decorada, para demonstrar o elevado parâmetro social alcançado.

A família Pisani fez fortuna nos anos 1300 graças às trocas comerciais e ao ramo imobiliário em Veneza e nos anos 1400 tornou-se proprietária de um grande feudo na região de Padova. Alvise Pisani alcançou os maiores cargos políticos na República de Veneza. Antes de ser eleito doge, em 1735, foi embaixador na corte do Rei Sol e padrinho de um de seus filhos. Neste ano, a vila já tinha começado a ser construída, em estilo barroco pelo arquiteto Girolamo Frigimelica, que abandona o projeto que será retomado por Francesco Maria Preti em estilo neoclássico.

A decoração interna da vila foi realizada por vários artistas renomados da época, já que a família Pisani era particularmente interessada pelo ambiente artístico e incentivava a atividade dos pintores e escultores venezianos da época. A intervenção mais importante está na sala do baile, o coração da vila. Entre 1761 e 1762, o aclamado Giambatista Tiepolo realiza no teto aquela que é considerada uma de suas maiores obras primas “A apoteose da família Pisani”.

A história de sucesso e riqueza da família teve um triste fim com a queda da República de Veneza, em 1797, aliada ao vício do jogo nutrido pelos Pisani. Neste período, eles foram obrigados a vender a suntuosa vila a ninguém menos que Napoleão Bonaparte, que, em 1805, virou rei da Itália. O futuro da propriedade ficou nas mãos de seu vice rei e enteado Eugenio Beuharnais, que também era um refinado mecenas, com um gosto apurado para artes e arquitetura. Beuharnais fez várias modificações nas salas da vila e no parque para adequar ao seu gosto.

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Em 1814 a vila passou às mãos do Império Austríaco e hospedou muitos membros da nobreza europeia. Em 1866, tornou-se propriedade do estado e não mais habitada, em 1884 torna-se um museu. O primeiro encontro entre Hitler e Mussolini aconteceu na Villa Pisani, em 1934.

A visita

Visitamos o Museu Nacional Villa Pisani em uma tarde durante de um dia de semana. A estrutura é enorme, mas é possível fazer um passeio na maioria das salas e salões do edifício. A vila conserva ainda muitos dos afrescos originais e das mudanças realizadas no período napoleônico. A sala do triunfo de Bacco é apenas o início de uma série de outros cômodos com mobiliário e objetos de época de grande importância histórica. É o testemunho do período mais suntuoso das vilas vênetas.

Um dos pontos altos da visita é o quarto imperial utilizado por Napoleão e os aposentos da família de seu enteado, mas o ápice fica por conta do salão do baile, posicionado na parte central da vila. É no enorme espaço que fica a obra prima de Tiepolo, a “Apoteose da Família Pisani”.

Os aposentos de Napoleão

 

O salão do baile e o famoso afresco

O parque da vila possui 11 hectares e tem inspiração nos jardins franceses dos anos 1700. Alguns elementos foram incorporados no período napoleônico. A “scuderia”, estrutura onde ficavam os cavalos, tem uma importante fachada, que pode ser confundida com outra vila de tão imponente.

A visita se conclui com o labirinto de sebes, onde no centro fica uma torre com a estátua de Minerva, a divindade da razão. A ideia do labirinto é perder-se para depois encontrar-se. O labirinto é fechado para visitação entre os meses de novembro e março.

Foto do labirinto: site Villa Pisani

 

Vista aérea, foto site Villa Pisani

Informações práticas

A Villa Pisani fica na cidade de Stra, bem próxima a Padova. A melhor maneira de chegar é de carro, mas a empresa SITA tem uma linha (número 53) que sai de Padova e chega em Stra. Do centro da cidade, se chega na vila em apenas 5 minutos.

O museu abre de terça a domingo nos seguintes horários:

De 1º de abril a 30 de setembro: 9h às 20h

De 1º de outubro a 29 de outubro: das 9h às 18h

De 30 de outubro a 31 de março: das 9h às 17h.

Fechado às segundas, 1º de janeiro e 25 de dezembro.

Valor do ingresso: Vila e parque: 10 euros (reduzido 7,50, 18-25 anos), somente acesso ao parque: 7,50 euros (reduzido 5 euros, 18-25 anos) – entrada gratuita todo primeiro domingo do mês

Os horários podem sofrer mudanças, então o ideal é se informar pelo site da Villa Pisani.

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