Visitando a Torre do Relógio, a surpresa da Praça São Marcos

O tempo e a origem. Dois elementos repletos de significados e representações que filósofos, estudiosos, poetas e cientistas tentaram interpretar. Para os venezianos, o tempo representava as chegadas e partidas, navios que iam e vinham e os fatos que escreviam os capítulos da história da poderosa República de Veneza. Visitando a Torre do Relógio, a surpresa da Praça São Marcos, é inevitável fazer uma viagem no tempo e imaginar quantas voltas deram aqueles ponteiros em mais de 400 anos de história.

A Torre do Relógio foi inaugurada no dia 1° de fevereiro de 1499 exatamente no ponto que liga a Praça São Marcos a Rialto, na artéria comercial da cidade, Mercerie. O complexo maquinário era acionado manualmente por um sistema de pesos e foi considerado de vanguarda à época. O relógio marca a hora, dia, fase lunar e signos do zodíaco e foi colocado em uma estreita torre que ganhou as duas alas laterais sucessivamente. Acima do quadrante do relógio está posicionada a Madonna onde a hora pode ser lida de uma forma mais imediata em números romanos.

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Um mecanismo especial permitia, durante a semana da Ascensão, que um cortejo formado por um anjo e pelos reis magos saísse de uma das portinhas onde ficavam os números e passassem em frente à Madonna. O anjo com uma trombeta era seguido dos reis magos que se moviam fazendo uma reverência à Nossa Senhora.  Hoje este espetáculo pode ser visto nas horas certas durante todo o dia 6 de janeiro.

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A visita à Torre do Relógio é feita todos os dias em 2 turnos, às 12h ou às 16h. O máximo de 12 pessoas é permitido, já que o edifício é pequeno e estreito. Uma guia dos Museus Cívicos de Veneza explica a história e a evolução da torre, e mostra de perto o engenhoso mecanismo do relógio. É interessante saber que desde o momento de inauguração do relógio, em 1499, foi determinado que o responsável pelo mecanismo estivesse sempre presente na torre e assim, ao longo dos anos, os chamados “temperatori” moraram dentro da torre do relógio com suas famílias. O último deles morou lá até o ano de 1996, quando a Comune de Veneza resolveu restaurar e modernizar o mecanismo, tornando-o mais autônomo.

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Os famosos Mouros da Torre do Relógio

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A estrutura da Torre do Relógio tem muito a dizer sobre a própria estrutura da sociedade veneziana. Acima da Madonna, está posicionado o leão, símbolo da República de Veneza, que demonstra o sistema hierárquico que situava a política acima da religião.  Acima de todos estes elementos, Veneza se reverencia ao poder supremo, o poder do tempo, representado por duas estátuas que ativadas pelo mecanismo do relógio, batem os sinos.

Os dois mouros, de 2,60 metros cada são assim chamados pela cor escura derivada da fusão do bronze, material do qual são feitos. Das feições fica claro que um é mais velho e o outro mais jovem. Os dois mouros tocam os sinos a cada hora certa, mas com uma diferença de cinco minutos. O mouro mais velho, que fica à esquerda, bate o sino 2 minutos antes da hora certa representando o tempo que se passou. O mouro mais jovem, que fica à direita, bate o sino 2 minutos depois da hora certa representando o tempo que virá.

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A visita à Torre do Relógio não é só um mergulho na história e cultura de Veneza, é também a chance de ter uma vista exclusiva e inesquecível da Praça São Marcos, a poucos metros da imponente basílica, dos telhados venezianos e de inúmeros palácios, igrejas e edifícios da cidade. Eu fiquei emocionada e maravilhada com toda a história e principalmente com a vista diretamente do lugar que testemunhou chegadas, partidas, conquistas e decadência.

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Para se programar

A visita à Torre do Relógio acontece todos os dias em dois turnos, às 12h e às 16h. Fechado nos dias 25 de dezembro e 1º de janeiro.  É necessário reservar com antecedência neste link. O ponto de encontro para a visita é no Museu Correr, na Praça São Marcos. Fica bem pertinho da Torre, mas chegue pelo menos 10 minutos antes da visita. O ingresso dá direito a visitar este museu também. Já falei dele aqui.

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