Meu roteiro de 10 dias no Japão

O Itália per Amore é um blog sobre a Itália e eu não tinha mesmo a intenção de publicar material sobre o Japão, apesar de ter alguns posts por aqui de outros países que não a Itália. Mas quando fui montar meu roteiro, tive muita dificuldade em encontrar informações objetivas sobre o destino. Além disso, algumas pessoas que acompanharam a viagem pelo Snapchat me pediram para escrever sobre a minha experiência e meu roteiro de 10 dias no Japão.

Roteiro de viagem é uma coisa muito pessoal, porque varia de acordo com o interesse de cada um. Eu tinha 10 dias e queria aproveitar da melhor maneira, mas sem correria porque eu gosto de curtir a viagem com calma e com a possibilidade de mudar o roteiro. Decidi portanto que ia visitar três cidades: Tokyo, Kyoto e uma cidade próxima a Tokyo que desse para fazer um bate-volta. Não tinha um roteiro dia-a-dia pré definido, mas sabia mais ou menos as atrações principais que queria ver. Vale lembrar que não era a minha primeira vez em Tokyo. Eu já tinha ido à cidade a trabalho, mas tive a oportunidade de explorá-la por dois dias, então algumas coisas eu já tinha visto. Obviamente queria rever algumas e para o meu marido era a primeira vez na cidade.

Pelas ruas de Kyoto
Pelas ruas de Kyoto

Uma coisa que eu indico, se você tiver muitas dúvidas ou quiser uma viagem planejada tim tim por tim tim é investir em um roteiro personalizado. A Raphaella Perlingeiro é especializada em roteiros personalizados pelo Japão. Além disso ela presta consultoria para quem já tem um roteiro esboçado e precisa ficar mais seguro com as escolhas. Ela me deu ótimos toques. Para conhecer o trabalho da Rapha, clique aqui.

Bom, como disse, roteiro é uma coisa muito pessoal, vou compartilhar o meu por aqui, sem aprofundar muito porque afinal, o Japão não é muito o propósito do blog. Quem quiser ler mais sobre as atrações ou os lugares que fui, faça uma pesquisa maior na internet,e nos blogs que indico no post, ok?

Roteiro de 10 dias no Japão

Dia 1

Tokyo

Chegamos bem cansados em Tokyo, às 15 horas e a diferença no fuso não deixa a gente aproveitar muito. A melhor coisa a fazer é verificar o que tem de legal nas proximidades do hotel. Nós estávamos hospedados em Kanda a apenas uma estação de Akihabara, o bairro dos eletrônicos, da cultura anime e mangá. Uma loucura de néons e lojas para quem gosta de eletrônicos, mas também de desenhos animados japoneses. Caminhamos pelo bairro e saindo do burburinho encontramos o Kanda Shrine, um santuário calmo e maravilhoso no meio de um dos bairros mais movimentados da cidade.

akihabara tokyo roteiro

kanda templo roteiro japao

Dia 2

Tokyo

Acordamos bem cedo por causa do fuso e aproveitamos para explorar as atrações mais próximas à área onde estávamos hospedados. Fomos no Ueno Park, um grande parque da cidade onde estão diversos templos e um lago magnífico repleto de ninfeias que os japoneses amam fotografar. De lá seguimos a pé para o Ameya-yokocho, um mercado de rua popular muito interessante onde se vende de tudo: peixe, frutas, alimentos, roupas e tênis. Fica bem perto do parque e acho muito legal mesmo para ver uma Tokyo mais real e menos turística. De lá seguimos para Yanaka Guinza, um bairro que retrata a Tokyo dos anos 50, com casinhas de madeira, templos, artistas de rua e artesãos. Depois de umas duas horas de sono no hotel para recarregar as baterias, pegamos o trem urbano e fomos em direção a Shibuya, e seu famoso cruzamento com luzes e néon. É ali também que fica a famosa estátua do cão Hachiko e onde a juventude de Tokyo se encontra. Lojas de roupas, decoração, souvenir, eletrônicos. É um bairro para explorar com calma. Seguimos a pé até chegar à região de Aoyama e Omotesando, que são bairros repletos de lojas de grife, ótimo para observar a arquitetura dos prédios realizados pro grandes estúdios. Destaque para a Prada em Aoyama, Tod’s e Hugo Boss em Omotesando. A área destes três bairros (Shibuya, Aoyama e Omotesando) dá pra fazer a pé.

ueno roteiro Japão
O lago com as ninfeias em Ueno

 

Dia 3

Tokyo

Fomos ao Tsukijii Market, o famoso mercado do peixe de Tokyo. É o maior mercado de peixes do mundo onde diariamente acontece o leilão do atum vermelho. Neste dia era feriado em Tokyo e somente o mercado de rua estava aberto. Vale muito a pena porque são vários restaurantes e barraquinhas que fazem pratos maravilhosos. Foi onde eu comi o melhor sushi e sashimi da vida. Conto logo adiante. Saímos do mercado e fomos a pé em direção ao Hama Rikyu Park para podermos pegar um barco que nos levasse ao bairro de Asakusa. Daria tranquilamente para irmos de metrô, mas quis ir de barco para ver Tokyo de outra perspectiva. A viagem durou 35 minutos. Asakusa é um bairro histórico e sua maior atração é o templo Senso-ji, o mais antigo da capital. É muito bonito e impressionante, mas se puder vá pela manhã cedo porque é bem cheio. A rua que leva ao templo e as adjacentes são cheias de lojinhas onde comprar souvenir. De Asakusa pegamos um metrô e descemos em Ginza para conhecer este bairro muito refinado, o primeiro de Tokyo a se modernizar. Não é a toa é considerado o bairro que dita tendências e é repleto de lojas de luxo. Vale a pena passear pelo Mitsukoshi, enorme loja de departamentos. O andar subterrâneo dedicado à gastronomia é imperdível. Para quem gosta da Uniqlo, marca japonesa acessível e com linhas básicas, Ginza tem uma enorme, de 9 andares. Passei por lá também.

asakusa roteiro Japão
O templo em Asakusa

Ginza roteiro no Japão

A refinada Ginza

Dia 4

Nikko

Um bate-volta que vale a pena. Saímos de Tokyo e ativamos nosso Japan Rail Pass para visitar Nikko, uma cidadezinha no interior com alguns templos e santuários importantes. Chegando à estação, vale a pena pegar um ônibus para explorar as atrações, já que Nikko é uma cidade com algumas ladeiras e caminhar a pé no verão úmido do Japão estava fora de cogitação (pelo menos pra nós). Na volta de Nikko, já que estávamos na estação de trens Tokyo, demos uma passada para ver o Palácio Imperial. À noite voltamos a Asakusa para rever o templo com calma e sem a multidão de pessoas que tinha durante o dia.

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Dia 5

Kyoto

Saímos de Tokyo pela manhã e em 2h40 estávamos em Kyoto. Deixamos as malas no hotel e fomos aproveitar a tarde. Visitamos o famoso Kinkaku-ji, o templo de ouro, que nos impressionou muito. Estava cheio, mas mesmo assim o lugar emanava paz. Vale a pena parar na simplória casa de chá da estrutura para ver a cerimônia do chá. Experiência emocionante. De lá seguimos para Gingaku-ji, o templo de prata, com um belíssimo jardim zen. À noite fomos jantar em Gion, o famoso bairro das gueixas (não vimos sequer sombra), com ótimos e inúmeros restaurantes. Voltamos para o hotel e aproveitamos o onsen (casa de banho) do hotel. Uma experiência incrível que recomendo a todo mundo fazer.

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Dia 6

Kyoto

Fomos visitar o famoso templo Kiyomizudera, que fica em uma colina afastada do centro de Kyoto. É um dos templos mais suntuosos que visitamos, cercado por uma floresta muito sugestiva. O complexo é grande e é interessante ir com tempo para passear. Nas adjacência, muitas lojinhas e restaurantes bem típicos. Se você souber escolher bem, vai acabar parando em um daqueles bem típicos onde tira-se o sapato para entrar e come-se sentado no chão. O templo fica bem próximo a Gion, onde é possível ver também o belo santurário de Yasaka e fazer um passeio pelo bairro. O nosso segundo pouso em Kyoto foi em um ryokan, tradicional hospedaria em estilo japonês, onde a gente dorme em futons e é recebido pelos donos da casa como hóspedes especiais. Os ryokans costumam a custar mais caro que os hotéis, mas é uma experiência que eu recomendo. Eu encontrei este ryokan aqui, bem próximo à estação e com um bom custo benefício. Eles têm uma casa de banho para uso privativo. Foi ótimo aproveitá-la.

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Dia 7

Kyoto e Nara

Acordamos muito cedo para podermos ver com calma e sem multidões uma das atrações que eu mais esperava, o Santuário de Inari. É aquele santuário muito fotografado com o caminho de toris vermelhos, os portais presentes nos santuários japoneses. Foi muito emocionante e valeu a pena acordar cedo. O barulho das cigarras, da natureza, o caminho de toris, foi realmente muito especial. Chegamos lá por volta das 8h e às 9h30, quando saímos, uma multidão já estava por lá. Vá cedo e aproveite os minutos de silêncio e contemplação. Para visitar o Inari pega-se a linha de trens Nara, e já que estávamos lá, aproveitamos para esticar até a cidade, que estava prevista no roteiro. Nara é imperdível. A cidade é pequena e você pode visitar os principais templos a pé. Nós pegamos um táxi e fomos para o templo Todaiji porque estava muito, mas muito calor. Este é um dos templos mais belos que vi durante toda a viagem. É uma construção imensa e suntuosa em madeira que abriga um Buda gigante de quase 15 metros de altura. Foi emocionante. Os templos de Nara ficam em uma área repleta de cervos mansinhos que interagem com os turistas. São fofos! O segundo templo que visitamos foi o Kasuga Taisha que possui um caminho com centenas de lanternas que são iluminadas durante dois períodos do ano, em Fevereiro e Agosto. O terceiro e último templo que visitamos foi o Kofuku-ji, o mais próximo à estação de trens e com uma pagoda enorme. Para ler mais sobre Nara, recomendo este post muito completo do blog Aprendiz de Viajante. De volta a Kyoto fomos ao Nishiki Market, um mercado tradicional da cidade onde encontrar muita comida típica e divertir-se tentando advinhar o que são e para o que servem. Compramos uma faca na histórica loja Aritsugu que produz facas desde 1560.

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O caminho de toris no templo Inari
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Em Nara, um dos templos mais lindos de toda a viagem

Dia 8

Kyoto-Tokyo

Pela manhã pegamos o trem e fomos visitar a área de Arashiyama, famosa pelos seus santuários e templos, mas mais ainda pela floresta de bambu. É realmente linda e fascinante, mas mais uma vez, para aproveitar o lugar é necessário chegar cedo, para contemplar com silêncio. Não exploramos os templos e nos contentamos em ver a floresta de bambu. Pegamos o trem e voltamos para Tokyo. Nosso segundo hotel em Tokyo ficava no bairro de Shinjuku e foi por lá que resolvemos passear. Shinjuku é moderna, agitada com o vai e vem dos japoneses e seu ritmo alucinado de trabalho. A zona interessante do bairro é Kabukicho, repleta de bares, locais de karaokê, edifícios com néon, onde fizemos uma parada para um aperitivo. Seguimos para Golden Gai, outro pedacinho do bairro interessante pela vida noturna, onde os jovens e engravatados vão curtir a noite depois do trabalho. Demos uma passada também na loja Don Quijote, que vende de tudo um pouco.

floresta bambu kyoto roteiro japao

shinjuku roteiro japao

Dia 9

Tokyo

Pegamos o trem urbano em direção a Harajuku. A primeira parada é o santuário de Meiji-Jingu, o maior santuário xintoísta de Tokyo e fica dentro de um parque. Era um domingo e demos a sorte de ver dois casamentos tradicionais japoneses. Saindo do parque fomos em direção à Takeshita Street, uma rua de comércio fechada para o tráfego, onde os adolescentes e jovens descolados comprar roupas e acessórios extravagantes. É o melhor lugar da cidade para ver aquele pessoal bem maluquinho e observar o estilo de rua das japonesinhas. Aproveitamos que estávamos na região e seguimos por Omotesando, Aoyama para finalmente chegar a Shibuya e explorar o bairro com um pouco mais de calma. O bom de ficar mais dias em uma mesma cidade é isso, poder voltar nos lugares que mais gostou ou teve pouco tempo de ver. Voltamos para Shinjuku e subimos no observatório do Tokyo Government Building para ver as luzes da cidade do alto.

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Omotesando, a rua para admirar a arquitetura das lojas

Dia 10

Tokyo

Aproveitamos o último dia para retornar ao mercado do peixe, Tsukiji Market, desta vez para ver a parte interna. É uma experiência incrível que eu recomendo. Os turistas podem visitar o mercado e ver de perto peixes, frutos e alguns “seres do mar” bem diferentes do que a gente está acostumado a ver. São carrinhos pra lá e pra cá e a gente tem que ter atenção em não atrapalhar o trabalho deles. Sapatos confortáveis e de preferência fechados porque o chão é molhado. Comemos um sushi e sashimi maravilhoso em um dos locais do mercado aberto. São inúmeros e nós optamos por um onde no balcão preparam o seu prato e você pode acompanhar. Foi sublime, o peixe derretia na boca. Dizem que o mercado é um dos melhores lugares para comer sushi em Tokyo. De lá seguimos novamente para Asakusa pois tínhamos que comprar um chinelo de madeira daqueles típicos. Aproveitamos a proximidade e paramos mais uma vez em Akihabara para comprar daqueles bonequinhos anime. Trouxe uma linda pra mim, não deu pra resistir. A última noite em Tokyo foi especial. Eu adoro o filme Lost in Translation e uma das coisas que eu queria muito nessa viagem era tomar um drink no New York, o bar do hotel Park Hyatt, onde várias cenas do filme foram filmadas. O bar fica no 52º andar do prédio e a vista é mesmo de tirar o fôlego, música jazz de primeira e um drink delicioso. Uma experiência maravilhosa para fechar com chave de ouro esta viagem de sonho.

mercado peixe toquio

hyatt tokyo bar roteiro japao

Transporte

Tokyo tem uma das maiores e mais eficientes redes de transporte do mundo. Existem dois tipos de serviço, o Metrô de Tokyo e os trens urbanos da Japan Rail (JR). Praticamente você paga pelo trecho que usa. A partir da estação onde você está, você precisa identificar a estação onde vai descer e ver o preço, assim você compra a passagem naquele valor. Para facilitar, vale muito a pena fazer o cartão Pasmo (no metrô) ou Suica (no JR). Nada mais é que um cartão recarregável, assim você evita de toda vez ter de cacular quanto vai gastar e comprar a passagem para cada trecho. Você pode fazer este cartão nas maquininhas ou no ticket office. Paga-se uma caução de 500 yens que é devolvida quando você restitui o cartão.

Em Kyoto as distância são enormes e você perde muito tempo no deslocamento até os templos. Se você tem poucos dias na cidade, acho que vale investir em um táxi. Caso contrário, se for utilizar o ônibus, compre o passe diário a 500 yens. Na estação eles te dão um mapinha das linhas com todas as atrações e templos para visitar.

Japan Rail Pass

É um passe destinado somente a estrangeiros e dá acesso a inúmeras linhas de trem no Japão, inclusive os Shinkansen (trem bala) e à rede urbana em Tokyo. Nós compramos o passe que valia por 7 dias e usamos muito. Dependendo do teu roteiro (o nosso tinha Kyoto, Nara, Nikko) as passagens avulsas custam muito mais caro que o valor pago pelo passe. Faça as contas e avalie o que é melhor pra você.

Para mais informações sobre o transporte em Tokyo, Kyoto e o Japan Rail Pass, leia o post do Raphinadas blog que explica direitinho.

Hotéis

Como fizemos duas etapas em Tokyo, escolhi hotéis em áreas diferentes da cidade. O primeiro foi o Comfort Hotel Kanda, em Kanda. O bairro era muito tranquilo e o hotel ficava a apenas 5 minutos da linha Kanda (Yamanote Line), a poucas paradas de pontos de interesse como Akihabara e Ueno. O quarto era pequeno, mas confortável, café da manhã com opções ocidentais e orientais, muito bom. Fiquei contente com essa escolha, o  ótimo custo benefício e a possibilidade de estar em uma área da cidade que não conhecia bem. Para saber sobre o hotel, clique aqui.

O segundo hotel de Tokyo foi o Hotel Sunroute Plaza Shinjuku. Escolhi um hotel de fácil acesso ao aeroporto de Narita para o dia da volta. Um bom hotel, mas achei o quarto pequeno (isso é meio que padrão no Japão) em relação ao preço que pagamos. A vantagem é a ótima localização (a poucos passos da estação de Shinjuku) e o fato de ser um dos pontos por onde passa o serviço de ônibus que leva até o aeroporto. Para saber sobre o hotel, clique aqui.

Em Kyoto queríamos ficar no ryokan todas as noites, mas não tinha lugar. Optamos então por ficar a primeira noite no Dorm Inn Premium Kyoto e foi maravilhoso. O melhor hotel da viagem. Novo, confortável e com a grata surpresa de uma tradicional casa de banho japonesa no nono andar. Foi uma experiência maravilhosa e um ótimo custo benefício. Para saber sobre o hotel, clique aqui.

A experiência do ryokan, a tradicional hospedaria japonesa não poderia ter sido melhor. Ficamos duas noites no Ryokan Shimizu, uma estrutura simples, com gestão familiar. Os ryokans costumam a custar mais caro que os hotéis e alguns deles chegam a ter preços exorbitantes. Neste, porém conseguimos uma tarifa bem abordável. Próximo à estação de trens de Kyoto, o ryokan conta ainda com uma casa de banho privativa que nós também aproveitamos. Para saber mais sobre o ryokan, clique aqui.

Uma viagem ao Japão é realmente o sonho de muitas pessoas e me senti muito privilegiada e abençoada por poder realizá-lo. Requer planejamento e organização. Espero poder inspirá-los e ajudá-los com a minha experiência neste país maravilhoso onde pretendo voltar muitas e muitas vezes.

 

 

 

 

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