O que ver em Bolonha: história,cultura e uma das melhores gastronomias de toda a Itália

Bolonha pode não ser uma meta tão conhecida por muitas atrações, história, cultura e arte. E é exatamente por este motivo que ela surpreende o visitante. É sim uma cidade linda do ponto de vista arquitetônico a artístico, mas também um paraíso para os apaixonados por vinho e gastronomia. Exatamente por não ser um destino clássico, muita gente se pergunta o que ver em Bolonha. 

Para quem chega pela estação de trens, que aliás, é uma das maiores da Itália, o centro de Bologna fica a poucos passos. A principal rua de acesso é a Via Indipendenza, de onde já se começa a ver os famosos pórticos da cidade. O comércio aqui é intenso, com muitas lojas, mas não se deixe distrair e entre na Catedral de São Pedro (San Pietro), construção de 1605, mas muito mais antiga, com origem no século X. A entrada é gratuita.

O centro histórico

A Piazza Maggiore, onde fica a famosa fonte do Netuno, é o ponto central da cidade e de lá é fácil caminhar pelo centro histórico e se encantar com a energia da cidade, repleta de pessoas: locais, turistas, artistas de rua e um grande movimento.

A Basílica de São Petrônio, erroneamente dada como duomo de Bologna é dedicada ao padroeiro da cidade e é uma obra incompleta. Depois de Roma, Bologna era a cidade mais importante da Itália do ponto de vista do papado. A cidade esteve nas mãos da igreja católica por três séculos, a partir do século XVI. Assim, os bolonheses planejavam construir uma catedral para competir com São Pedro, mas a obra nunca foi completada. A igreja é em estilo tardo gótico e parte da fachada foi realizada com pedra de Istria e mármore de Verona.

Uma das curiosidades de São Petrônio é um afresco presente na parede esquerda da Capela Bolognini. A representação do inferno vem acompanhada do nome de Maomé. O fato enfureceu alguns extremistas, que em 2006 ameaçaram explodir São Petrônio. Desde então, a segurança da igreja foi reforçada. A entrada na basílica é gratuita, mas para a Capela Bolognina, existe um ingresso de 3 euros. Em São Petrônio também está presente uma das maiores meridianas do mundo.

A Piazza Maggiore é cercada por vários edifícios importantes na história de Bologna. O Palazzo del Podestà hoje abriga o escritório do Bologna Welcome, bureu de turismo da cidade, onde você pode encontrar informações e comprar ingressos das atrações.

Outro edifício é o Palazzo Comunale, onde está a estátua de São Petrônio, que originalmente representava o Papa Gregório XIII e foi poupada dos saques e destruição dos franceses. Quando chegaram na cidade no final dos anos 1700, os soldados de Napoleão, que deveriam destruir as imagens de papas, foram enganados pelos bolonheses que transforaram a estátua do papa em São Petrônio.

Bem em frente à Fonte do Netuno, está a Sala Borsa, com uma biblioteca pública com eventos culturais, mostras, que pode ser um bom ponto de apoio também se você quer dar uma descansada ou usar o banheiro.

 

Bologna e a gastronomia

Da Piazza Maggiore é muito fácil explorar o famoso quadrilátero de Bologna, uma área cercada por quatro ruas, onde funcionava o antigo mercado medieval. Ainda hoje, bolonheses e turistas caminham pelo quadrilátero em busca das excelências gastronômicas da região da Emilia Romagna e principalmente de Bologna.

Esta é uma região da Itália considerada uma das melhores do ponto de vista enogastronômico. Além dos salames, mortadela, do verdadeiro queijo parmigiano, Bologna é a pátria do tortellino, tortelloni, da tagliatelle al ragù e da massa fresca feita em casa. Vale a pena sentar em um dos locais, entrar nas bodegas tradicionais e antigas ou visitar o Mercato di Mezzo.

Leia mais: Dicas de hotéis em Bologna, testados e aprovados

As torres

Pertinho da Piazza Maggiore, em uma das ruas principais do centro, estão as duas torres medievais símbolos da cidade. A menor é a Torre Garisenda é e a maior a Torre degli Asinelli. A Garisenda é mais pendente e mede 48 metros. A Asinelli é altíssima, 92,7 metros e quem tiver coragem e não sofrer de vertigem pode se aventurar e subir seus 498 degraus para ver um panorama incrível da cidade.

torre-bolonha-2

Aqui faço minhas observações de quem amarelou: obviamente é uma estrutura muito antiga, a escada é em madeira e a passagem muito estreita feita nos dois sentidos por quem sobe e quem desce. Eu consegui chegar até a metade e desisti, talvez porque tinha muita gente, me senti sufocada. Fiquei chateada porque acredito que a vista seja maravilhosa. Se você é corajoso, vai em frente porque certamente vale a pena.

Esta é a Torre Garisenda, a menor, com a estátua de São Petrônio, o protetor de Bolonha
Esta é a Torre Garisenda, a menor, com a estátua de São Petrônio, o protetor de Bolonha

O complexo de Santo Estevão

Bem pertinho das torres, se você seguir à direita pela Piazza della Mercanzia, vai chegar na Piazza Santo Stefano, uma praça da cidade muito frequentada. Acredita-se que o complexo de Santo Stefano tenha sido erguido pelo próprio São Petrônio, padroeiro da cidade, no ano de 430. Ele queria reproduzir algo bem parecido com o Santo Sepulcro, em Jerusalém.

O santuário, dedicado a Santo Estevão é conhecido também como as “sete igrejas”. Dentro é possível visitar: a Igreja do Crucifixo, a Cripta, a Basílica do Sepulcro, a Basílica de São Vidal e Agrícola, Corte do Pilatos, Igreja da Trinidade ou Martírio, o claustro, a Igreja da benda e museu.

Os pórticos

Bologna tem 38 quilômetros de pórticos, que se harmonizam com a tradicional cor vermelha da cidade. Aliás, Bologna é conhecida como la rossa (a vermelha, por causa do solo argiloso), la grassa (a gorda, pela gastronomia), e la dotta (a sábia, pela presença da universidade).

Os pórticos começaram a ser muito utilizados, pois Bologna era uma cidade muito comercial e assim, as lojas, bodegas e bancos eram emoldurados pelos pórticos. Outra razão, era a presença massiva de estudantes, em busca dos melhores professores que aqui estavam. Foram construídos vários palácios para abrigarem os universitários e embaixo, os pórticos.

Dica de restaurante

Finalizo com a dica de um restaurante muito bom, com típica comida emiliana, massa feita em casa, ambiente delicioso e pessoas muito gentis, a Osteria La Traviata, que fica bem pertinho de centro, a 5 minutos da Piazza Maggiore, na Via Urbana, 5.

Antipasto: fior di zucca, flor de abobriha frita
Antipasto: fior di zucca, flor de abobriha frita
O famoso tortellone, em versão ricota e aspargos
O famoso tortellone, em versão ricota e aspargos
Para finalizar, o doce: creme de mascarpone com chocolate e creme caramel com pêras
Para finalizar, o doce: creme de mascarpone com chocolate e creme caramel com pêras
4 comments
Previous Post
Next Post