Museu Bailo, programa imperdível em Treviso

Treviso por si só já é uma cidade que respira arte. Basta levantar levemente a cabeça para admirar o que restou dos belíssimos afrescos que cobriam completamente as fachadas dos palácios do centro histórico. Além das igrejas, edifícios religiosos e praças deslumbrantes onde ver uma Itália genuína e bela, Treviso conta ainda com museus e espaços culturais que também contam muito sobre a história da cidade. É o caso do Museu Bailo, um programa imperdível para você fazer por aqui.

O museu e sua história

O Museu Bailo permite passear entre a produção artística local moderna, com obras realizadas no período que vai da segunda metade dos anos 1800 até a primeira metade dos anos 1900. O espaço que abriga o acervo é fruto de um projeto de reestruturação que fez nascer um edifício de chave moderna onde antigamente funcionou um convento de origem medieval. Alguns traços da antiga arquitetura podem ser vistos nos dois claustros.

 A coleção do Museu Bailo, assim como grande parte do acervo de outros museus de Treviso só pode ser visitada hoje em dia por causa da dedicação às artes do abade Luigi Bailo. O religioso, que viveu quase 100 anos, foi o grande responsável por reunir muitas das obras presentes nos museus da cidade. Ele buscava repertos arqueológicos, quadros, esculturas junto a intermediadores, feiras de antiquaria e fez um grande trabalho de defesa das obras principalmente no período da Primeira Guerra Mundial.

O acervo

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Artistas entre 1800 e 1900

O Museu Bailo promove mostras temporárias no espaço térreo. No primeiro andar e em parte do térreo está o percurso do acervo, que começa com uma belíssima série de retratos. Nesta sala é possível ver alguns personagens do passado de Treviso, que de certa maneira contam o período histórico da cidade. Muito interessante a presença da mulher na arte, vista no retrato de Luigia Codemo, realizado pela amiga pintora Rosa Bortolan.

Os artistas trevisanos deixaram também um interessante testemunho da história local pintando as cenas do cotidiano. Momentos de alegria, de fadiga – mulheres que desempenham tarefas árduas -, além das paisagens do campo. Já que muitos brasileiros que possuem origem italiana têm parentes provenientes exatamente da província de Treviso, é muito interessante reconhecer nestes quadros, o panorama do que era a vida no período de seus antepassados. Alguns nomes que compõem a galeria: Luigi Serena, Giovanni Apollonio, Nino Springolo, os membros da família Ciardi, Guglielmo, Emma e Beppe.

As esculturas e Arturo Martini

Grande parte do Museu Bailo é dedicada a esculturas, principalmente à produção de Arturo Martini. O escultor, nascido em uma família humilde de Treviso, em 1889, ganhou grande destaque em seu período de produção. Frequentou a Academia de Belas Artes de Veneza e participou de movimentos artísticos na Europa, deixando um grande acervo de esculturas, cerâmicas e vasta produção gráfica. Arturo Martini é considerado um dos maiores escultores do século XX.

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A renovação artística moderna

Uma parte do acervo é dedicada aos artistas que questionaram a produção artística do período propondo uma nova forma de realizar suas obras. A ideia era uma espécie de emancipação do academismo, renovando a arte veneta. Assim, muitos destes artistas participavam de exposições na Ca’ Pesaro, Galeria de Arte Moderna de Veneza, além de passarem um período no exterior em contato com as correntes da época como o Surrealismo. Alguns nomes do período: Ottone Zorlini, Guido Cacciapuoti, Aldo Voltolin e Nino Springolo e Gino Rossi, este último morreu em Treviso, 20 anos depois de ficar fechado em um manicômio.

Artistas entre as duas guerras

Paradoxalmente os vinte anos que separaram as duas grandes guerras foram um período profícuo para a produção artística em Treviso. Entre 1920 e 1942 foram realizadas 11 mostras. Os quadros expostos nestas salas são alguns dos meus preferidos, com destaque para os retratos. Os nomes importantes do período são Giacomo Caramel, Arturo Malossi, Bepi Fabiano e Lino Selvatico.

Andar térreo e claustro

O andar térreo do Museu Bailo é dedicado a uma grande coleção de esculturas do período de maturidade de Arturo Martini e gessos de alguns artistas que se inspiraram no grande escultor. O destaque fica por conta da escultura Adão e Eva, de Martini, que retrata os dois progenitores divididos e nus, lado a lado de mãos dadas, deixando o paraíso depois do pecado original e caminhando em direção ao futuro.

Funcionamento

O Museu Bailo funciona de terça a domingo, das 10h às 18h e o ingresso custa 6 euros. Para datas especiais como Natal, Ano Novo e Dia do Trabalho, consulte diretamente no site os horários de funcionamento.

 

 

 

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