Lago de Braies, a esmeralda das Dolomitas

Não é de hoje que despontam nos perfis de viagem do Instagram fotos maravilhosas de um lago verde esmeralda não muito longe de Veneza, na região das Dolomitas. O Lago de Braies está cada vez mais conhecido e visitado pelos brasileiros. A esmeralda das Dolomitas parece uma pintura e é mais acessível do que você possa imaginar.

Afinal, o que são as Dolomitas?

As Dolomitas constituem uma cadeia montanhosa dos Alpes Orientais localizada no norte da Itália. Sua extensão atravessa três regiões: Vêneto, Trentino-Alto Adige e Friuli, entre as províncias de Belluno(onde fica sua maior parte) Bolzano, Trento, Udine, Pordenone, Vicenza e Verona e uma pequena parte na Áustria.

As Dolomitas foram declaradas Patrimônio da Humanidade UNESCO em 2009 e seu nome foi uma homenagem ao mineralogista francês Déodat de Dolomieu, o primeiro estudioso das rochas dolomíticas. A primeira denominação geográfica do termo surgiu em 1837 em um guia editado em Londres. O ponto mais alto das Dolomitas é a Marmolada, entre a província de Belluno e Trento, a 3348m acima d nível do mar.

O processo de formação das dolomitas aconteceu no período Triássico, há cerca de 200-265 milhões de anos. Estas rochas ficaram soterradas debaixo de grande quantidade de sedimentos marinhos por mais de 100 milhões de anos até que no período Terciário, entre 60 e 5 milhões de anos atras, a colisão entre os continentes africano e europeu deformou a costa terrestre fazendo com que os sedimentos marinhos emergissem.

Algumas cidades para escolher como base

As Dolomitas estão entre as paisagens montanhosas mais bonitas do mundo. Como seu território principal se encontra na Itália, um dos países de maior apelo turístico, as visitas à região são cada vez mais frequentes. Geralmente as pessoas que visitam as Dolomitas escolhem Cortina d’ Ampezzo como base, por ser uma cidade bem conhecida a cerca de 2 horas de distância de Veneza.

Como o território das Dolomitas é bem extenso, existe uma dificuldade em encontrar a melhor base. Já falei por aqui sobre San Martino di Castrozza, uma cidade de montanha que fica no lado Vêneto das Dolomitas, ótima opção para quem quer fazer trekking ou no inverno esquiar.  Falei também sobre San Candido, bem pertinho da Áustria, que é uma ótima base para explorar alguns dos lagos mais bonitos da região. É de San Candido ou Dobbiaco (cidade que fica a poucos quilômetros de distância) que podemos sair para explorar o Lago de Braies.

O Lago de Braies

Todo o percurso de estradas que atravessa as Dolomitas já é um grande atrativo. A paisagem formada por bosques, lagos, montanhas e picos é encantadora. Mas sem dúvidas, o Lago de Braies é uma das atrações mais bonitas. A cor da água é esmeralda e, segundo uma lenda, o fato é explicado pela presença de um tesouro que está guardado no fundo do lago.

Nós visitamos o lago no período do outono, mês de outubro, que considero ideal. Nos meses de verão, de julho até meados de setembro a região é muito visitada e é considerado alta temporada. De 10 de julho a 10 de setembro, por exemplo, a estrada que da localidade de Ferrara até o lago fica fechada das 10h às 15h, é uma maneira de evitar o grande fluxo e proteger o local. Assim, neste período, é necessário deixar o carro em Ferrara e seguir para o lago a pé (por uma trilha em que o percurso dura aproximadamente 1 hora e meia) ou de ônibus linha (442i ou linha Monguelfo-Lago di Braies).

Nós chegamos por volta de 10h e deixamos o carro no próprio estacionamento do lago. Era um domingo e estava cheio, mas conseguimos vaga mesmo assim.

No outono a paisagem é generosa. O lago, que é cercado pela montanhas, ganha contornos em tons de amarelo, marrom e verde escuro, as cores da estação.

Os números

  • Altitude: 1.496 m acima do nível do mar
  • Superfície: 31 hectares (maior lago natural das Dolomitas)
  • Largura: 300 – 400 m
  • Margem: 3,5 km
  • Profundidade máxima: 36 m
  • Profundidade média: 17 m
  • Situação higiênica: boa

Os percursos

O passeio no Lago de Braies deve ser feito sem pressa. Para contorná-lo completamente gasta-se cerca de 1 hora em um percurso fácil, dá até pra levar carrinho de bebê/criança. No caminho existem banquinhos e mesinhas para quem quiser parar para fazer um picnic, comer alguma coisa ou descansar. Existe também a opção de passear pelo lago com um dos sugestivos barquinhos que você pode alugar logo no início da trilha.

Nós optamos por fazer a trilha que leva até a Malga Grunwald, ou Malga Foresta, que é sinalizada com o número 19. As malgas são minhas atrações preferidas nas montanhas. São pequenos restaurantes locais e rústicos, pra onde todo mundo vai depois de curtir o panorama das trilhas. É o melhor lugar para experimentar a gastronomia da montanha e para viver em pleno a experiência local.

A trilha não é longa, começando pela entrada do lago são aproximadamente 60 minutos de caminhada. Levamos mais tempo pois estávamos com os carrinhos e existem algumas subidas no trecho, mas a estradinha é bem ampla. A Malga Grunwald fica em um lugar encantador, a 1590 metros acima do nível do mar com um panorama que se abre para as montanhas Hochalpe.

O local é equipado com parquinho para as crianças e um espaço verde onde elas podem correr à vontade. No menu do restaurante pratos típicos como polenta, funghi, canederli, ovos com batata e speck, massas e doces. Além de uma ótima cerveja e vinho.

Outros lagos nos arredores

O Lago de Braies é a principal atração da região, mas existem outros lagos nos arredores que merecem a visita.

Lago de Dobbiaco – Voltando em direção a Veneza, bem próximo, fica o Lago de Dobbiaco, que tem 2,5 km com um percurso que dura em torno de 40 minutos. Pelo caminho, muitas placas explicam a fora e a fauna do local.

Lago de Landres – Fica a poucos quilômetros do Lago de Dobbiaco e sua principal característica é a cor azul turquesa e água em temperatura um pouco mais quente (no verão, é claro) que permite que os visitantes possam nadar.

Lago de Misurina – Conhecido como a Pérola das Dolomitas, o Lago de Misurina também é famoso e muito visitado principalmente nos finais de semana pelos italianos que moram na região do Vêneto. A partir daqui existem várias trilhas que conduzem a locais de grande interesse como o Refugio Auronzo e as Ter Cime di Lavaredo.

Onde dormir

Tenho a experiência de dois hotéis na cidade de Dobbiaco. Escolhi a cidade como base por ficar a poucos quilômetros dos lagos e das principais atrações e trilhas. Muitas pessoas escolhem Cortina, mas a considero muito comercial e também cara. Dobbiaco fica a 10 minutos de San Candido, que é uma cidadezinha linda e com uma boa pista para quem quer esquiar.

Hotel Simpaty

O primeiro hotel que fiquei foi o Hotel Simpaty, com um ótimo custo benefício, boas acomodações e serviço gentil. Fica no centro da cidadezinha de Dobbiaco.

Uma observação importante quando você escolhe um hotel nas montanhas é certificar-se se o hotel tenha um restaurante próprio. O Simpaty tem e é muito bom. Dependendo do período, alguns restaurantes da cidade ficam fechados ou muito cheios. Além disso, no inverno, o que você menos quer fazer é sair da toca depois de um dia cansativo de caminhada.

Para conhecer o Hotel Simpaty e reservar, clique aqui.

Hotel Heidi

Desta vez fiquei no Hotel Heidi. Escolhi pela paisagem dos arredores (ele fica um pouquinho fora do centrinho da cidade) e pelo espaço e parquinho para as crianças. O hotel é mais simples que o Simpaty, com boas acomodações e ótimo café da manhã, mas sem a comodidade de ter um restaurante próprio.

Para conhecer o Hotel Heidi e reservar, clique aqui.

No inverno

Visitar as Dolomitas no inverno pode ser uma ótima pedida, mas para isso é necessário se programar. Existe uma grande oferta de passeios, trekking, estações de esqui, pistas de patinação no gelo e até mesmo spas. Para curtir, se informe sobre as condições climáticas no google e sobre as melhores roupas ou equipamentos. O próprio hotel pode te indicar os contatos para aluguel de equipamento e aulas para aprender a esquiar. Em Dobbiaco, uma das escolas é a Lanz Active.

 

 

 

 

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