Jardins reais de Veneza, o coração verde da Praça São Marcos

 Só quando a gente vê as imagens de Veneza feitas por drone é que nos damos conta dos espaços verdes da cidade. Efetivamente não são muitos, mas eles existem, e grande parte é privada, sem acesso ao público. A exceção são alguns parques públicos, que recentemente ganharam um reforço com a reabertura dos Jardins Reais de Veneza, praticamente o coração verde da cidade.

Do período napoleônico à influência austríaca

O período napoleônico teve desdobramentos políticos, mas também a nível urbanístico em Veneza. Em 1808, uma grande mudança foi provocada na Praça São Marcos, com a demolição da igreja de São Geminiano para a construção da Ala Napoleônica. No período, o palácio sede da Procuradoria Nova seria transformado em Palácio Real, residência oficial em Veneza do novo rei da Itália.  O projeto previa também a criação de um grande jardim com vista para a ilha da Giudecca e Punta della Dogana.

Uma foto de época que mostra os jardins reais

Para a construção dos jardins reais de Veneza, foi sacrificado um enorme edifício de época gótica que abrigava o Granai di Terranova, conhecido também como Fondaco del Frumento, que fora construído em 1322 para armazenar os grãos que seriam vendidos por preços módicos à população no caso de carestia. Hoje conhecemos este edifício por meio das inúmeras representações em mapas e quadros do panorama de Veneza. Para permitir o acesso do palácio aos jardins, separados por um canal, foi construída uma pequena ponte levadiça, presente até hoje.

Os jardins reais de Veneza herdaram forte influência do período austríaco, com uma série de reformas. Uma das propostas do novo arquiteto, Lorenzo Santi, foi a construção de um pavilhão em estilo neoclássico utilizado pela corte como local de recreação e no inverno como estufa. Em 1856, o pavilhão tornou-se acessível com a abertura de um elegante café, o famoso Cafehaus. Vale dizer que por muitos anos, os jardins reais foram de uso exclusivo da corte e a abertura ao público se deu somente em 1920.

Do abandono à revitalização

Imagem do projeto Venice Gardens Foundation

Nas últimas décadas, os jardins reais de Veneza caíram em abandono, apesar de emoldurados por uma das paisagens mais bonitas do mundo. Em 2014, a administração do espaço foi concedida à Venice Gardens Foundation, que pôde finalmente tirar do papel o projeto de revitalização do espaço.

O novo jardim é assinado por Alberto Torsello (projeto arquitetônico) e Paolo Pejrone (jardim), que trouxeram nova vida às estruturas já presentes como a ponte levadiça, o portão principal, a estufa e o pergolado de ferro. O restauro botânico compreendeu um estudo das espécies mais adaptáveis ao ecossistema da laguna trazendo ao espaço novas árvores, arbustos e trepadeiras.

A antiga Cafehaus dos tempos austríacos se modernizou com o novo Caffè Illy, um espaço para receber venezianos e turistas. O antigo projeto de Lorenzo Santi foi respeitado e mantido em toda elegância, mas revisto com elementos modernos como o lustre vermelho, cor da Illy, feito com vidro de Murano.

Os jardins reais ficam logo atrás da Praça São Marcos, de frente para o Bacino de São Marcos (o canal que fica em frente à praça). A entrada é gratuita e os dias e horários de abertura são: de 15 de abril a 15 de outubro, de terça-feira até sexta-feira, das 8h30 às 19h, aos sábados e domingos de 8h30 até 19h30. De 16 de outubro a 14 de abril, os jardins funcionam nos mesmos dias das 9h às 17h. Fechados às segundas, 25 e 31 de dezembro, 1 de janeiro, no último sábado e domingo de Carnaval, domingo de Páscoa e no sábado da festa do Redentor, que é o terceiro sábado de julho.

 

 

 

 

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